top of page

A história da cerveja no Brasil.

Foto do escritor: Eduardo SabinoEduardo Sabino

Atualizado: 20 de jul. de 2019

Século XVII: como chegou e quem trouxe?

A cerveja chegou tarde por aqui, trazida pelos holandeses da Cia das Índias Orientais no século XVII. Com a saída dos holandeses o produto sumiu por cerca de 150 anos.


1808 : a vinda da família real.

Só reapareceu com a vinda da família real que também trouxe os licores franceses e os vinhos portugueses. Até então a cachaça era a bebida mais popular e perdeu espaço gradativamente.


1830: o início da produção nacional.

As primeiras cervejas eram feitas de forma artesanal e para consumo da família. As famílias de imigrantes europeus foram as responsáveis.



1836: as primeiras cervejarias nacionais.

A primeira cervejaria do Brasil foi a Cervejaria Brasileira (Rio de Janeiro-1936), seguida de cervejarias no Sul do país, Rio de Janeiro e São Paulo. Abaixo a lista destas empresas dignas de dia de feriado nacional:



Henrique Schoenbourg (1940 - São Paulo);

Georg Heinrich Ritter (1846 - Nova Petrópolis/RS);

Henrique Laiden (1848 - RJ);

Vogelin & Bager (1848 - RJ);

John Bayer (1849 - RJ);

Gabriel Albrecht Schamlz (1852 - Joinville/SC);

Henrique Kremer (1854 - Petrópolis/RJ);

Carlos Rey (1853 - Petrópolis/RJ);

Cia. Cervejaria BRAHMA (1888/RJ);

CIa. ANTÁRTICA Paulista (1888/SP);

Cervejaria BOHEMIA (1898 - Petrópolis/RJ);

CERPA Cervejaria Paraense (1966/PA);

SKOL (1967/RJ);

Cervejaria KAISER (1980 - Divinópolis/MG);

Primo Schincariol (1989 - Itu/SP).



Como dá pra perceber, as primeiras cervejarias surgiram do empreendedorismo de produtores caseiros (maioria de imigrantes alemães) que resolveram arriscar alto no novo mercado mesmo com todas as dificuldades da época (não existia geladeira, lembrem desse detalhe).


Algumas atingiriam a escala industrial de produção nos anos seguintes (números que giravam em torno de 5.000 garrafas/mês), mas a maioria não conseguiria vencer as dificuldades climáticas, a dificuldade de adquirir insumos importados e o desdém do governo a essa bebida, preferiam o tradicional vinho português, o champanhe e licores franceses, e o povo preferia a cachaça, principalmente por ser muito mais barata que as caras e raras cervejas. As que conseguiram aumentar suas produções foram:

Imperial Fábrica de Cerveja Nacional, da empresa pioneira Henrique Leiden & Cia, a Vogelin & Bager, a Carlos Rey & Cia, e Henrique Kramer que em 1876 adquiriu a Imperial Fábrica de Cerveja Brasileira que em 1898 mudou o nome para CERVEJARIA BOHEMIA.


A primeira lei protecionista nacional (final Século XIX).

Em 1809 Dom João preocupado em industrializar o Brasil abriu os portos para a entrada de insumos que seriam usados nas manufaturas por aqui, sua preocupação era, principalmente, com os produtores que ficaram em Portugal, mas a Inglaterra foi a maior beneficiada por ter melhor logística (era a maior marinha do planeta) e por estar tecnologicamente muito a frente de Portugal.

A Inglaterra dominava o mercado em vários setores por aqui, exportava muita coisa de qualidade duvidosa, não era o caso das suas excelentes cervejas, mas no final do século XIX (1879), o governo quadruplicou os impostos de importação, o que acabou com a entrada da cerveja inglesa no Brasil e fez explodir a produção nacional, apesar das dificuldades em obter insumos como a cevada, lúpulo e leveduras terem aumentado com a nova norma protecionista. O problema dos insumos eram driblados por exemplo, com o uso moderado de lúpulos e leveduras, além da inclusão gradual de milho e arroz nas receitas. Problema maior era o clima do país, tropical, quente, que exigia máquinas a vapor que resfriavam a bebida, com os impostos mais altos, elas ficaram muito caras prejudicando as recentes cervejarias que já faziam cerveja comercialmente.

Esta medida, apesar de muito criticada até hoje, fez aumentar a força da industria nacional. No início do século XX várias outras micro cervejarias surgiram juntas com a nova demanda de clientes da nova burguesia industrial e dos imigrantes europeus que começaram a chegar com força após o fim da escravatura, trazendo a tradição de beber cerveja no sangue e a vontade de fazer o melhor em sua nova terra, no coração. Como os escravos se debandaram para as cidades ou se refugiavam em quilombos, coube a estes imigrantes o papel de fazer nossa agricultura continuar produzindo, o que fizeram com excelência. Japoneses contribuíram com novas tecnologias de plantio e pesca, italianos com a modernização do comércio e a produção do vinho e alemães com a produção da nossa tão amada cerveja, e todos com o consumo interno do que era produzido.


Guerras Mundiais.

As duas grandes guerras frearam todo esse crescimento de produção: a falta de insumos (principalmente o lúpulo) e matéria prima foi decisiva para que muitas empresas fechassem.

A volta ao crescimento da produção e do consumo se veio no pós guerra, mas foi somente a partir da década de 1960 que o mercado voltou com todo vapor.


1999: a primeira fusão.

Cia. Cervejaria BRAHMA e CIa. ANTÁRTICA Paulista se fundem e nasce a AmBev - Cia. de Bebidas das Américas, a maior do país até hoje e a partir de 2004, com a fusão com a belga Interbrew, surge a Anheuser-Busch InBev ou AB Inbev e se torna a líder mundial.


Fontes:

Larousse da Cerveja - autor Reinaldo Morgado (meu livro preferido sobre cerveja, recomendo)

As longas raízes do protecionismo: sobre o aumento de impostos de importação

A história da Ambev: site oficial da Ambev



 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Como brindar em vários idiomas.

Dizer Saúde é o brinde mais tradicional no mundo inteiro. Agora, você está preparado para brindar em Russo? Grego? Japonês? Aprenda aqui...

Comments


bottom of page